Crescimento do PIB real
% ao ano
Crescimento não é favor do presidente. Em 2003–10 o Brasil surfou a mesma onda de minério e soja que o Peru (mais rápido) e o Chile. O teste é o que se faz com a renda, porque o investimento nunca passou de 22% do PIB, enquanto a Ásia oriental compõe a 30%+. Dilma comeu o superávit, então o colchão fiscal desapareceu. Lula 3 cresce na média mundial com um quarto do país no Bolsa Família. Não há soluções, só trade-offs: aqui, clientela maior e estoque de capital menor.
World Bank / IBGE →PIB por habitante (constante)
US$ de 2015
De 2003 a 2010 o brasileiro ficou 27% mais rico em termos reais, com minério a US$ 180 e juro caindo. De 2010 a 2016 perdeu o que Dilma somou. Em 2025 (US$ 9.748) mal passa o pico de 2013. Vinte e dois anos para +40% dão 1,5% ao ano por cabeça, e a Coreia do Sul fazia isso por década. Não é milagre: é mediocridade com pico de commodity.
World Bank →Investimento (formação bruta de capital)
% do PIB
O teto recente é 21,8% do PIB em 2010–11. Nunca chegou ao patamar leste-asiático de 30% ou mais. Depois de 2014 o investimento desaba a 15% e não volta. Um país que consome o boom de commodities sem elevar a taxa de investimento deixa o crescimento seguinte mais pobre. Isso vale para Lula 2 e para Dilma.
World Bank →Resultado primário do setor público
% do PIB (superávit = positivo)
Série BCB SGS 5793 (NFSP 12 meses), sinal invertido para o uso comum: positivo = superávit. Lula 1–2 herdou o tripé de FHC e entregou 3%+ de superávit até 2008. O superávit morre em 2014, já na Dilma. 2020 é o tombo da COVID (−9,2%). Bolsonaro fecha 2022 com +1,3%. Lula 3 reabre déficit (−2,3% em 2023, −0,4% em 2024–25). O resultado nominal, que inclui juros, está em torno de −8,3% do PIB em 2025 (BCB via Trading Economics). O juro da dívida, não só o primário, é o buraco visível hoje.
Banco Central do Brasil →Dívida bruta do governo geral
% do PIB
Série BCB SGS 13762, dezembro de cada ano. A mínima é 51,3% em 2011 e a máxima 86,9% em 2020. Bolsonaro reduz a 71,7% em 2022; Lula 3 sobe a 78,6% em 2025. A comparação internacional do FMI costuma pintar o Brasil mais endividado, porque as metodologias diferem. O que não difere: a dívida parou de cair em 2014 e não voltou ao piso.
Banco Central do Brasil →Dívida líquida do setor público
% do PIB
Série BCB SGS 4536. Cai de 57,8% na crise de 2002 para 31,1% em 2013. Esse é o legado fiscal de Lula 1–2 mais o começo de Dilma 1, com superávit primário e câmbio. Depois sobe: 47,8% em 2016, 65,4% em 2020, 66,8% em 2025. A “dívida externa” que o debate pede é outra série, abaixo.
Banco Central do Brasil →Dívida externa (estoque / RNB)
% do RNB
Em 2003 o Brasil ainda era refém de dívida externa, 43,6% do RNB. Em 2008 já estava em 15,9% e virou credor líquido em moeda forte. Isso é um dos feitos objetivos de Lula 1–2, e também do boom de commodities e do superávit em conta corrente. A razão sobe de novo na recessão e na COVID, 38% em 2020, e fecha 2024 em 28,7%. Não voltou a 2003.
World Bank →Pobreza a US$ 8,30/dia (PPC 2021)
% da população
A pobreza cai de 50,9% em 2003 para 26,4% em 2014. Transferência corta pobreza medida: isso é aritmética, não desenvolvimento. Em 2020 despenca com o Auxílio de Bolsonaro (20,8%) e explode em 2021 (30,6%) quando o cheque encolhe. A pergunta é o que acontece quando a transferência para. Em 2024 está em 20,6%. O IBGE diz que, sem programas, a extrema pobreza iria a 10%. O Estado compra o número, e ao mesmo tempo compra o voto.
World Bank →Extrema pobreza a US$ 3,00/dia (PPC 2021)
% da população
A extrema pobreza cai de 17,1% em 2003 para 4,8% em 2014. Esse corte é o núcleo do que Lula 1–2 objetivamente fez. O 2,8% de 2020 é o Auxílio Emergencial, não um milagre estrutural, então 2021 volta a 7,5%. Em 2024 está em 3,0%. Na linha de US$ 2,15 do IBGE: 3,5% em 2024, 4,4% em 2023 e 9,0% em 2021.
World Bank →Desigualdade (Gini)
índice 0–100
O Gini vai de 57,6 em 2003 a 52,1 em 2014, 53,5 em 2019 e 50,3 em 2024. A queda grande é de Lula 1–2. O 48,8 de 2020 é o auxílio da pandemia. O Brasil continua um dos países mais desiguais do mundo; Chile e Uruguai são mais iguais. O Gini não mede se o pobre depende do Estado, só a forma da distribuição.
World Bank →Famílias no Bolsa Família / Auxílio Brasil
milhões de famílias
Não existe série de “% de dependentes”. Existe cobertura: FHC inventou os pedaços; Lula unificou e escalou; Bolsonaro saltou a 21 milhões no Auxílio Brasil de 2022, um ano eleitoral; Lula 3 mantém cerca de 20 milhões de famílias, 54 milhões de pessoas, 26% do país. O Cadastro Único cobre cerca de 34%. A pergunta não é se o cheque reduz a linha de pobreza, porque reduz. É se o adulto sai da lista. 2021 mostrou o inverso: corta o cheque, a pobreza volta.
Ministério do Desenvolvimento Social / Wikipedia (agrega série) →Homicídios por 100 mil habitantes
por 100 mil
Lula 1–2 não derrubou o homicídio: 28,3 em 2003 e 27,0 em 2010. O pico é 31,2 em 2017, já no Temer. A queda começa em 2018, antes de Bolsonaro completar um ano, e segue até 19,3 em 2023, no Lula 3. Segurança pública é sobretudo estadual. O FBSP mede 20,8 mortes violentas intencionais por 100 mil em 2024, metodologia policial, não idêntica à UNODC. Atribuir a curva a um presidente é o erro.
World Bank / UNODC →Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES)
km² / ano
O pico absoluto é 2004, no primeiro mandato de Lula, com 27.772 km². Depois o PPCDAm derruba até 4.571 em 2012, já na Dilma. Bolsonaro sobe a 13.038 em 2021. Lula 3 registra 6.288 em 2024. A tese “Lula pior na Amazônia” falha na trajetória, e a tese “2004 não aconteceu” também falha.
INPE TerraBrasilis →Desemprego
% da força de trabalho
O desemprego vai de 11,2% em 2003 a 6,8% em 2014, 12,8% em 2017, 13,7% em 2020 e 6,0% em 2025. O piso de Dilma 1 não sobreviveu à recessão que ela mesma abriu. Lula 3 opera com o mercado de trabalho mais apertado da série recente, e com juro alto precisamente por isso. A metodologia da PNAD muda em 2012, então níveis pré e pós não são perfeitamente comparáveis.
World Bank / IBGE →Participação na força de trabalho
% da PIA (14+)
Quem para de procurar emprego some da taxa de desemprego. A participação era 63,6% em 2019 e caiu a 59,1% em 2020, na COVID. Em 2024 está em 62,8%, ainda abaixo do pré-pandemia. A FGV estima que a queda 2019–24 tirou cerca de 2,5 milhões da força que existiriam se a taxa tivesse ficado em 63,6%. A manchete de desemprego sozinha mente.
IBGE →Inflação ao consumidor
% ao ano
2003 abre em 14,7%, herança da crise de 2002, não de Lula. Meirelles e o Banco Central trazem a 4–6%. Dilma estoura a meta em 2015, com 9,0%. O 9,3% de 2022 é choque mundial e Petrobras. Em 2025 está em 5,0%, ainda acima da meta. O regime de metas é de 1999, de FHC. Lula 1 o preservou; Dilma o tensionou.
World Bank →Expectativa de vida ao nascer
anos
A expectativa de vida vai de 70,9 anos em 2003 a 75,8 em 2019, cai a 73,0 em 2021 na COVID e volta a 76,0 em 2024. É a tendência longa de países de renda média: SUS, saneamento, queda da mortalidade infantil. Não é um decreto presidencial. A COVID apagou dois anos, ainda assim a recuperação é rápida.
World Bank / UN →Mortalidade infantil
por mil nascidos vivos
A mortalidade infantil vai de 24,0 em 2003 a 16,0 em 2010 e 12,3 em 2024. A queda começa antes de Lula, com 29,1 em 2000, e continua depois. Bolsa Família com condicionalidade de vacina e pré-natal entra nessa curva, ainda assim não é o único motor. Chile e Uruguai já estão abaixo de 7.
World Bank / UN IGME →Alfabetização adulta
% dos adultos
A alfabetização adulta vai de 88,6% em 2004 a 90,4% em 2010 e 94,7% em 2024. É uma tendência lenta e contínua, e atravessa todos os governos. Não há ruptura Lula. PISA e distorção idade-série contam outra história sobre qualidade, porque esta série mede só o alfabetizado.
World Bank / UNESCO →Mandato no ano civil em que o presidente esteve a maior parte do tempo. 2016 fica em Dilma 2 porque a recessão é dela. Não interpolamos furos. “Dependência” não é série oficial, então usamos cobertura do Bolsa Família.