2016 · bolsonaro

Ustra no plenário, “matar 30 mil” em 1999, condenação de 2025, e o Congresso não foi fechado

DocumentadoO princípio é parcial

A alegação

Bolsonaro é fascista e deu um golpe.

O que aconteceu

Em 24 de maio de 1999, na Band, Bolsonaro disse que fecharia o Congresso “no mesmo dia” e falou em “matando uns 30 mil, começando com o FHC”. Em 8 de julho de 2016, na Jovem Pan: “O erro da ditadura foi torturar e não matar.” Em 17 de abril de 2016, no voto do impeachment: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff.” Em 2019, chamou Ustra de “herói nacional.” A CNV liga dezenas de mortes ao período em que Ustra comandou o DOI-CODI/SP, e a Justiça civil o reconheceu torturador. Em 7 de setembro de 2021, na Paulista, disse que não cumpriria decisão de Moraes. Em 8 de janeiro de 2023 ele estava nos EUA, e milhares invadiram os Três Poderes. Em 11 de setembro de 2025, a 1ª Turma do STF (AP 2668), por 4 a 1 (Fux absolvia), condenou-o a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe. Como presidente, o que o Estado fez ao indivíduo foi isto: ampliou posse e porte de armas; não fechou a imprensa nem restaurou censura prévia tipo AI-5; não fechou o Congresso nem cancelou a urna. Sobre indígenas e quilombolas: zero homologação e corte relativo da Funai. Sobre LGBT: extinção ou reconfiguração de órgãos, não uma lei criminal nova. A retórica é de um tipo, e o uso do poder sobre o indivíduo livre é outro.

Falado em público

Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff… o meu voto é sim.

Bolsonaro, Câmara · 2016-04-17

O erro da ditadura foi torturar e não matar.

Bolsonaro, Jovem Pan · 2016-07-08

Primeiros princípios

O princípio é parcial

Liberdade de verdade é o indivíduo protegido da coerção arbitrária do Estado, inclusive da tortura. Elogiar quem a praticou, e dizer que o erro foi “não matar”, nega essa proteção. Lei e ordem exigem o mesmo padrão para todo preso político e todo agente. “Hitler é pior” não limpa Ustra: escala histórica não é álibi. Também não transforma 2019-22 em AI-5: o Congresso ficou aberto, a urna rodou, a Folha não saiu do ar. Retórica e poder efetivo se medem em contas separadas.

Comparação · No Brasil

Lula não tramou golpe. Minimizar Maduro é outro pecado. 8/1 não foi “festinha”: o STF conta 1.402 responsabilizados até abril de 2026. Penas de 14-17 anos para quem entrou nos prédios são, frente ao 6 de janeiro americano (mediana de dias, não anos), um outlier.

Comparação · No mundo

Jan 6: cerca de 1.500 denunciados, mediana de 30 dias (NPR). Brasil: penas de golpe para vandalismo de prédio, no próprio STF, sem júri. As invasões são primas, e as dosimetrias não são.

Fontes

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