2020 · lula
Lula não disse “graças a Deus a pandemia”. Disse “ainda bem que a natureza criou esse monstro”
A alegação
“Lula agradeceu a Deus pela COVID.”
O que aconteceu
Em 19 de maio de 2020, à Carta Capital, Lula disse: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises.” Já havia mais de 19 mil mortos no Brasil. No dia 20 ele pediu desculpas no Twitter: a frase foi “totalmente infeliz”; deveria ter usado “infelizmente”. A paráfrase de campanha (“graças a Deus”) é falsa. A frase real é feia e oportunista, e foi retractada em 24 horas. Não é o padrão de meses de Bolsonaro (“gripezinha”, “não sou coveiro”).
Falado em público
“Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus.”
Primeiros princípios
O princípio é parcialUsar um evento de morte em massa como prova de uma tese econômica, no presente do indicativo, é um erro moral mesmo que a tese (Estado capaz) seja debatível. Retratação rápida conta, e inventar “graças a Deus” para piorar a frase também é um erro.
Comparação · No Brasil
Bolsonaro minimizou a doença enquanto presidente, com poder sobre vacina e comunicação. Lula era candidato-ex-presidente, então a assimetria de poder importa mais do que a feiura da frase.
Comparação · No mundo
Frases cínicas de oposição em pandemia existem em toda parte. Poucas viram o centro da campanha de um país com 700 mil mortos.