1979 · lula
Playboy 1979: Lula citou Hitler como exemplo de “fogo”, e falou em sexo com animais na infância da geração
A alegação
“Lula elogiou Hitler e fez apologia à zoofilia.”
O que aconteceu
Em julho de 1979, numa entrevista a Josué Machado para a Editora Abril, Lula tinha 34 anos e era líder sindical. Sobre homens admiráveis, disse: “O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.” Em seguida: “Não, não. O que eu admiro é a disposição… É diferente de admirar as ideias dele.” Citou também Gandhi, Che, Mao, Fidel e Khomeini. Sobre sexo: “Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais…” A linha é descritiva da geração, não uma confissão pessoal nem uma apologia. Folha (1994) e Veja (2009) citam o texto. Não há, nessa entrevista, um equivalente à fala de Bolsonaro a Maria do Rosário.
Falado em público
“O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.”
Primeiros princípios
O princípio é parcialNomear Hitler como exemplo de “fogo”, mesmo com ressalva, é um erro adulto. Transformar uma memória geracional feia em “apologia à zoofilia” é outro erro. A idade (34) e a ditadura no fundo não apagam a frase; também não a tornam o pior registro de um presidente brasileiro sobre violência.
Comparação · No Brasil
Bolsonaro, no plenário, homenageou Ustra, torturador de Dilma. Isso é pior, no presente do indicativo e no cargo. A Playboy de Lula é um documento de 1979, não um voto de 2016.
Comparação · No mundo
Políticos jovens dizem barbaridades em revistas, e poucos viram presidente três vezes. A frase fica no registro; não vira o centro da biografia se o centro, de fato, é outro.