2025 · stf
O relator janta com o presidente. Em casa, com o Senado.
A alegação
“É normal juiz do Supremo se reunir com o presidente. Todo mundo faz.”
O que aconteceu
Em 31 de julho de 2025 Lula recebe no Alvorada ministros do STF, entre eles Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Cristiano Zanin, depois das sanções americanas contra Moraes. Em 4 de agosto de 2026 houve uma reunião reservada de três horas na casa de Alexandre de Moraes, fora da agenda oficial, com Lula, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Zanin. A Gazeta do Povo descreveu o encontro como tentativa de realinhar Planalto, Congresso e parte do Judiciário em ano pré-eleitoral, com a PF no entorno. Zanin foi advogado de Lula; hoje julga com ele no mesmo jantar. Moraes relata inquéritos que atravessam o campo político que o jantar costura.
Primeiros princípios
O princípio não se sustentaQuem julga o poder não janta com o poder que julga. Separação de poderes não é foto de posse; é a recusa do encontro reservado quando o processo está aberto. Zanin deveria se declarar impedido de qualquer causa do ex-cliente, e o jantar é o contrário do impedimento. Moraes ser anfitrião do presidente e do Senado, no próprio domicílio, é o indivíduo livre sem tribunal, porque o tribunal está à mesa.
Comparação · No Brasil
O STF já teve almoço, futebol e posse com político. O que mudou é a frequência, o inquérito próprio e o anfitrião ser o relator. Não é o café da posse. É o alinhamento de 2025-26, com sanção, PF e eleição no calendário.
Comparação · No mundo
Na Suprema Corte dos EUA, o código de conduta de 2023 e a tradição de recusa pedem distância de encontros políticos privados com parte. Juiz não janta o presidente para “realinhar bases” com o Senado. No Reino Unido e na Alemanha, o constitucionalista não é operador de governabilidade. O Brasil normalizou o que lá seria recusa ou escândalo.